Como adotar meu gato me fez decidir pelo veganismo
Em 2011, eu resolvi adotar um gato. Na minha família sempre tivemos cachorros, e eu cresci acreditando naqueles preconceitos bobos de que felinos são indiferentes e pouco afetivos. Porém, via tantas pessoas falando sobre o amor que sentem por seus gatos que comecei a pesquisar sobre eles e decidi trazer um para a família.

Logo encontrei uma menina que tinha resgatado uma família de gatinhos. Debaixo de uma chuva torrencial, fui buscar um dos bebês, que batizei de Mies. Chegando em casa, a reação de curiosidade e zelo da minha cachorrinha Penelope foi emocionante. Ela queria cheirar e lamber cada centímetro do corpinho magricelo do Mies e não sossegou enquanto eu não entreguei “seu” filhote. Para ela, não importava a espécie, apenas acolher aquele serzinho.


Os dois se tornaram grandes amigos, e logo eu percebi como gatos são seres incríveis! São independentes e mais “blasé” do que cães, mas têm sua própria maneira de se comunicar e de demonstrar afeto — quem nunca levou cabeçadinhas de um gato não sabe o que está perdendo.

Mies, por exemplo, demonstra o amor por cada um dos integrantes da família (além dele, são três outros bichos) esfregando seu corpo todo no focinho dos demais para dar bom dia. É super sociável, adora visitas e é o cuidador oficial de outros gatos para os quais fizemos lar temporário nos últimos anos. É louco por caixas e cordinhas e dá saltos extraordinários.


O fato é que, em pouco tempo, comecei a entender que minha falta de conhecimento sobre a inteligência e afeto dos outros animais me impedia de enxergar que seres extraordinários eles são! Comecei a pensar que tantos outros animais — vacas, galinhas, porcas, peixes — seriam amigos incríveis e amorosos, se tivessem a oportunidade de ser vistos como mais do que apenas carne. Eles deveriam poder ser livres e receber amor.

Nessa mesma época, me deparei com uma campanha da Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB) que diz: “se você ama um, por que come outro?”. Isso me fez enxergar como eu estava sendo incoerente: como eu podia amar animais como gatos e cachorros, achar fofos animais como vaca, porcos, carneiros, e ainda assim comê-los? Eu simplesmente não podia mais suportar a ideia de que eu estava colaborando para a morte e sofrimento de tantos animais.


Após um pouco mais de tempo elaborando a ideia, decidi que parar de comer carnes seria a minha resolução de Ano Novo. Fui gradualmente: primeiro, cortei carnes durante a semana; depois, cortei carnes em casa; depois, cortei carnes fora de casa. Em 2013, após um ano, eu já começava a caminhar para o veganismo, decidindo que não iria mais ter em casa ou cozinhar com nenhum produto de origem animal. Como eu cozinho a maior parte das minhas refeições, esse foi um grande salto, e eu descobri um mundo totalmente novo de ingredientes, preparações e de saúde. E hoje já não consumo mais nenhum produto de origem animal, em hipótese alguma.


Raras vezes, durante esses anos, eu fiquei doente. Eu tinha alergias de pele extremamente incômodas que praticamente sumiram também. Isso sem contar minha consciência, que está limpa, e minha alegria em comer alimentos que me nutrem sem prejudicar nenhum animal.Hoje posso olhar para meus bichos e dizer que não apenas eles estão a salvo em casa, mas também que eu não colaboro para a exploração de nenhum de seus semelhantes. Sabe aquela frase que diz “seja a pessoa que seu cachorro acha que você é”? Pois então: eu levo ela a sério e acho que, se os meus entendessem isso, eles teriam muito orgulho. Assim como eu tenho orgulho de poder dizer que eu amo verdadeiramente todos os animais, igualmente.

Aline Baroni é Coordenadora de Comunicação da Mercy For Animals Brasil

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