Uma mudança simples vai ajudar a salvar inúmeros animais selvagens
Parece que todos os dias uma nova espécie entra na lista de animais ameaçados de extinção. Os cientistas até advertiram que estamos presenciando a sexta extinção em massa e que mais da metade de toda a vida selvagem poderá acabar até 2020. Como seu hambúrguer, bife ou queijo contribuem para isso? Além da enorme crueldade a que os animais explorados são submetidos, a pecuária causa um impacto devastador na vida selvagem por causa da caça, pesca, desmatamento, perda de habitats, poluição e mudanças climáticas.

Todos os anos, milhares de animais selvagens, incluindo lobos, ursos, lontras, onças, cachorros do mato, jaguatiricas e coiotes, são mortos porque são vistos como uma ameaça para as indústrias de exploração animal.

Além da matança indiscriminada de vida selvagem, a pecuária também ameaça a biodiversidade de forma colateral, pela perda dos habitats naturais que são transformados em pasto ou em plantação de soja. Um relatório da ONU produzido em 2010 revelou que mais de um terço das terras do mundo são usadas para a criação e exploração de animais. O Banco Mundial estima que o desmatamento chega a 5,6 hectares a cada ano, uma área maior que toda a Costa Rica. A pecuária é responsável por mais de 90% da destruição da Floresta Amazônica.

Raj Patel, professor da Universidade do Texas, disse ao The Independent:

"A pegada de carbono da agricultura global é vasta. A agricultura industrial é absolutamente responsável pela condução do desmatamento, absolutamente responsável por impulsionar a monocultura industrial, o que significa que é responsável pela perda de espécies. Estamos perdendo espécies de que nunca ouvimos falar, que ainda nem nomeamos, e a agricultura industrial está encabeçando isso tudo."

Mais da metade das estimadas 10 milhões de espécies de plantas e animais do mundo vivem em florestas tropicais, tornando a devastação da Amazônia uma preocupação crescente. Aproximadamente 137 espécies de plantas, animais e insetos na Amazônia são perdidas a cada dia, totalizando 50 mil espécies por ano. De acordo com o ecologista Brian Machovina, "a perda de habitat é tão grande que causará mais extinções do que qualquer outro fator". Em uma entrevista de 2015 à revista Science, o geofísico Gidon Eshel declarou: "Hoje podemos dizer, sem muita margem para fantasia: você come um bife, você mata um lêmure em Madagascar. Você come uma galinha, mata um papagaio amazônico".

E não é apenas a Amazônia. À medida que as terras em todo o mundo são destinadas para exploração de animais e agricultura, as espécies nativas são exterminadas. As florestas em Sumatra, que abrigam elefantes e onças, estão sendo destruídas para dar lugar às plantações de palmeiras e extração de óleo de palma, muitas vezes para alimentar os animais explorados nas fazendas. Na Tanzânia, os animais criados estão constantemente pastando, reduzindo a diversidade de gramíneas e ameaçando a reserva de alimentos para zebras, elefantes, girafas e rinocerontes. A pecuária não só dizimará a população selvagem desses países, como também gradualmente invadirá os parques nacionais onde esses animais residem.


Os animais marinhos enfrentam problemas semelhantes. De acordo com um estudo de 2017, mais de 69% das Orcas Residentes do Sul (população de orcas que vive na costa noroeste da América no Norte e listada como “ameaçada” pelo U.S. Fish & Wildlife Service) perderam seus filhotes antes mesmo do nascimento devido à fome. Mais de 80% da dieta dessas baleias é composta por salmão Chinook, outra espécie criticamente ameaçada que foi adicionada à lista de espécies sobreexploradas em 2015. Sem seu alimento, as orcas grávidas não recebem os nutrientes necessários para completar o ciclo reprodutivo. Cada gravidez interrompida é desastrosa para essa população, agora estimada em menos de 80 baleias.

Os efeitos devastadores da pesca comercial deixam claro que, nos ecossistemas do mundo, tudo está conectado. Por exemplo, os papagaios-do-mar atlânticos nas ilhas Shetland dependem de anguilas para sobreviver. Uma vez que as anguilas foram pescadas em excesso, o número de papagaios-do-mar diminuiu drasticamente. Quando o arenque é sobreexplorado, as populações de bacalhau caem.


Da mesma forma, sardinhas e anchovas estão sendo sobreexploradas para ser transformadas em farinha de peixe para alimentar salmão, porcos e galinhas. Isso causa uma queda dramática na população de animais como pinguins, que dependem de sardinhas e anchovas para alimentação. Desde 2004, a população de pinguins sul-africanos diminuiu surpreendentes 70%.

À medida que a demanda dos consumidores por peixes cresceu, aumentou também o número de animais capturados em redes de arrasto e engenhos de pesca. A indústria de pesca comercial mata cerca de 50 milhões de tubarões dessa forma a cada ano, dizimando ainda diversas outras espécies. As populações de tubarões-negro caíram 85% devido à captura acidental. Os grandes tubarões brancos, uma espécie particularmente vulnerável, são muitas vezes mortos em linhas longas e redes maciças na costa da Califórnia. Além disso, mais de 300 mil golfinhos, botos e baleias, incluindo as ameaçadas baleias jubarte, morrem todos os anos depois de ficarem presas em equipamentos de pesca.


Na costa de El Salvador, os pesquisadores encontraram aproximadamente 400 tartarugas marinhas mortas, incluindo espécies ameaçadas de extinção. Um dos principais suspeitos da morte em massa é a indústria do camarão. Aproximadamente 85% dos animais pegos juntos com os camarões são capturas involuntárias e, portanto, são descartados.

A poluição também desempenha um papel importante na destruição de habitats marinhos. A pecuária é uma significativa fonte de poluição da água e é responsável pela maior zona morta registrada no Golfo do México. Toxinas que escoam das fábricas, principalmente estrume e fertilizante, vazam nas vias navegáveis próximas. Essas toxinas promovem o crescimento de algas, que criam zonas sem oxigênio. A Tyson Foods foi identificada como uma das principais contribuintes para essa forma de poluição. De fato, um relatório de 2016 descobriu que a Tyson era responsável por despejar seis vezes mais poluição tóxica nas vias navegáveis do que a Exxon.


O impacto ambiental da produção industrial é enorme. A pecuária produz mais emissões de gases de efeito estufa do que todos os carros, aviões e outras formas de transporte combinados. Três companhias de exploração animal produzem mais gases de efeito estufa que toda a França. De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), as emissões de dióxido de carbono provenientes da criação de animais de criação constituem cerca de 15% das emissões globais induzidas pelo homem, sendo carne e leite os principais culpados.

As mudanças climáticas destroem habitats e ameaçam a biodiversidade, reduzindo o habitat dos ursos polares, aumentando secas em todo o mundo e causando eventos climáticos extremos que matam espécies ameaçadas de extinção.


Uma medida simples como evitar produtos de origem animal faz com que você corte sua pegada de carbono quase pela metade. De acordo com o Centro para a Diversidade Biológica, "essa pegada de carbono da produção de carne é mais do que apenas um grande número. Para os ursos polares, é um fator se eles viverão ou não para ver o final deste século".

É bastante claro que a indústria de exploração animal não se preocupa com o planeta ou os animais. Mas você pode boicotar esta indústria destrutiva e cruel mudando para uma dieta compassiva e ecológica.

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